Acordar à noite com a mão formigando, sentir os dedos dormentes ao segurar o celular ou deixar objetos caírem com mais facilidade. Esses são sinais típicos da síndrome do túnel do carpo, a compressão de nervo mais comum dos membros superiores.
O Dr. Franco André Correa Martins, ortopedista em Uberlândia, explica o que causa a síndrome, como ela é diagnosticada e quais são os tratamentos disponíveis.
O que é o túnel do carpo?
O túnel do carpo é uma passagem estreita na região do punho, formada pelos ossos do carpo e fechada por um ligamento resistente, o ligamento transverso do carpo. Por esse túnel passam nove tendões flexores dos dedos e o nervo mediano, responsável pela sensibilidade do polegar, do indicador, do dedo médio e de parte do anelar.
Quando o espaço dentro do túnel diminui ou o conteúdo aumenta de volume, o nervo mediano é comprimido. O resultado é formigamento, dormência e, nos casos avançados, perda de força.
Causas e fatores de risco
Na maioria dos casos não há uma causa única. Alguns fatores aumentam o risco:
- Sexo feminino e idade acima dos 40 anos
- Gravidez e menopausa, pelas alterações hormonais e retenção de líquido
- Diabetes, hipotireoidismo e artrite reumatoide
- Atividades com flexão repetida do punho ou uso de ferramentas que vibram
- Fraturas antigas do punho e artrose
Sintomas da síndrome do túnel do carpo
- Formigamento ou dormência no polegar, no indicador e no dedo médio
- Piora dos sintomas à noite, muitas vezes acordando o paciente
- Necessidade de sacudir a mão para o formigamento passar
- Piora ao dirigir, segurar o celular, ler ou fazer atividades com o punho dobrado
- Dificuldade para abotoar roupas e segurar objetos pequenos
- Nos casos avançados, perda de força e diminuição da musculatura da base do polegar
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico começa pela história clínica e pelo exame físico. O ortopedista avalia a sensibilidade dos dedos, a força da mão e realiza manobras que reproduzem os sintomas ao comprimir o nervo no punho.
A eletroneuromiografia é o exame que confirma a compressão e mostra sua gravidade, o que ajuda a definir o tratamento. Em alguns casos, o ultrassom ou a ressonância magnética complementam a avaliação.
Tratamento
Tratamento conservador
Nos casos leves e moderados, o tratamento inicial costuma incluir:
- Órtese noturna, que mantém o punho em posição neutra e alivia a compressão durante o sono
- Ajuste das atividades e pausas em tarefas repetitivas
- Controle de doenças associadas, como diabetes e hipotireoidismo
- Medicação e fisioterapia, conforme o caso
- Infiltração, em situações selecionadas
Cirurgia
A cirurgia é indicada quando os sintomas persistem apesar do tratamento conservador, quando há perda de força ou atrofia muscular, ou quando a eletroneuromiografia mostra compressão importante.
O procedimento consiste na abertura do ligamento transverso do carpo, o que aumenta o espaço do túnel e libera o nervo. É uma cirurgia realizada com anestesia local ou regional, geralmente sem necessidade de internação prolongada. O retorno às atividades é gradual e orientado.
Por que não esperar demais
A compressão prolongada pode lesionar o nervo de forma permanente. Quando já existe perda de sensibilidade constante ou atrofia muscular, a recuperação após o tratamento tende a ser mais lenta e, às vezes, incompleta. Por isso, formigamento frequente nas mãos merece avaliação.
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