Um estalo na dobra do cotovelo ao levantar um peso, seguido de dor, roxo e perda de força para girar o antebraço. Esse é o quadro típico da ruptura do tendão do bíceps distal, uma lesão que acontece principalmente em homens entre os 30 e os 60 anos e que precisa de avaliação rápida.
O Dr. Franco André Correa Martins, ortopedista em Uberlândia, explica o que é a lesão do bíceps distal, como reconhecer os sinais e por que o tempo é importante no tratamento.
O que é o tendão do bíceps distal?
O bíceps é o músculo da parte da frente do braço. Na parte de cima, ele se prende no ombro. Na parte de baixo, ele se prende no rádio, logo abaixo do cotovelo, por meio do tendão distal do bíceps.
Esse tendão é responsável por dobrar o cotovelo e, principalmente, por girar o antebraço para virar a palma da mão para cima, movimento usado para girar uma chave, uma maçaneta ou uma chave de fenda.
Como acontece a lesão
A ruptura costuma ocorrer quando o cotovelo dobrado é forçado a esticar de repente contra uma carga pesada. Exemplos comuns:
- Segurar um objeto pesado que está caindo
- Levantar peso na musculação, especialmente em exercícios como a rosca
- Esforço físico no trabalho, como carregar móveis ou materiais
- Esportes de luta e de força
Também existem lesões parciais e tendinopatias, que surgem por desgaste ao longo do tempo e causam dor na dobra do cotovelo sem ruptura completa.
Fatores de risco
- Sexo masculino, entre os 30 e os 60 anos
- Musculação com cargas elevadas
- Tabagismo, que prejudica a qualidade do tendão
- Uso de esteroides anabolizantes
Sintomas
- Estalo na região da dobra do cotovelo no momento da lesão
- Dor intensa, que melhora nos dias seguintes
- Roxo na dobra do cotovelo e no antebraço
- Perda de força para girar o antebraço e, em menor grau, para dobrar o cotovelo
- Deformidade do braço, com o músculo do bíceps "subindo" em direção ao ombro, o chamado sinal do Popeye reverso
Como é feito o diagnóstico
Na consulta, o ortopedista avalia a força, o formato do músculo e realiza testes específicos, como o teste do gancho, em que tenta "enganchar" o tendão com o dedo na dobra do cotovelo. Quando o tendão está rompido, ele não é encontrado.
A ressonância magnética confirma a lesão, mostra se a ruptura é parcial ou completa e o quanto o tendão se retraiu. O ultrassom também pode ajudar.
Por que o tempo é importante
Nas rupturas completas, o tendão se retrai e o músculo começa a perder qualidade com o passar das semanas. O reparo é tecnicamente mais simples e costuma evoluir de forma mais favorável quando feito nas primeiras semanas após a lesão. Por isso, a avaliação precoce faz diferença.
Tratamento
Cirurgia
Para a maioria dos pacientes ativos com ruptura completa, a cirurgia é o tratamento indicado. O tendão é reinserido no osso do rádio com implantes como âncoras ou botões de fixação, por uma pequena incisão na dobra do cotovelo.
Tratamento conservador
Pode ser considerado em pacientes com baixa demanda física ou com contraindicações para cirurgia, sabendo que costuma haver perda permanente de parte da força para girar o antebraço. Lesões parciais e tendinopatias geralmente são tratadas inicialmente sem cirurgia.
Recuperação após a cirurgia
- Uso de tala ou órtese nas primeiras semanas
- Fisioterapia para recuperar o movimento do cotovelo e do antebraço
- Fortalecimento progressivo
- Retorno a esforços e à musculação de forma gradual, ao longo de alguns meses
Quando procurar um ortopedista
Procure avaliação logo após um estalo na dobra do cotovelo, principalmente se houver roxo, deformidade do bíceps ou perda de força.
Em Uberlândia, o Dr. Franco atende pacientes com lesões tendíneas e traumas do cotovelo no Hospital Orthomed Center. Conheça os tratamentos com ortopedista especialista em cotovelo em Uberlândia e leia também sobre fratura do cotovelo.